terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Arquipélago FERNANDO DE NORONHA

FERNANDO DE NORONHA, o Arquipélago do Brasil e é administrado pelo estado de Pernambuco. O seu tamanho é de 26km e situa-se em Oceano Atlântico. Tem 21 ilha, ilhotas e rochedos com origem vulcânica.

Eu não vou conseguir escrever tudo o que passamos na ilha, mas vou colocar os melhores momentos somente. Senão seria um livro.


Morro Dois Irmãos

A minha Sofia com apenas 7 anos de idade já gosta muito de viajar e adora conhecer lugar novos. Só podia ser minha filha, risos. Ela gosta de assistir vídeos no YouTube  e um dia ela ficou muito encantada com a ilha Fernando de Noronha pelos vídeos das gêmeas Melissa e Nicole que postam os seus vídeos no canal intitulado PLANETA DAS GÊMEAS. Vimos os vídeos juntas e me deu a ideia de irmos de vez! A nossa família tem costume de viajar umas vezes por ano para conhecer lugares que não conhecemos. A viagem à ilha foi marcada para fevereiro 2017.

Eu, como uma boa viajante, eu tenho o hábito de pesquisar muito o local antes de ir. Compramos na internet as máscaras de mergulho, o snorkel, para não ficar alugando na ilha que custam em média 30 reais por dia e também compramos blusas de proteção solar.  


No mergulho na Praia do Sancho. Sempre com Snorkel.

Uma semana antes de viajar arrumamos as malas, a Sofia toda faceira arrumou a sua mala de brinquedos e as roupas ela deixou para mim arrumar. Viu só? Uma ruiva muito sapeca já sabe que viajar é tão bom. Tudo na ilha é caro porque tudo é levado pelo avião ou barco. Separamos uma mala com garrafinhas de água, sucos, bolachas recheadas e salgadinhos para não pagar por um preço alto na ilha. Valeu a pena levar essas coisinhas na viagem. Uma garrafinha de água lá custa 8 a 11 reais. Muito caro!

É obrigatório pagar taxa de ambiental para entrar no arquipélago, essa taxa cobrada é como um imposto que é destinado aos cuidados biológicos da ilha. É possível gerar o boleto da taxa no site ou pessoalmente no aeroporto na chegada na ilha, nós pagamos no aeroporto porque eu tentei comprar no site oficial da ilha e o sistema sempre estava fora do ar. O valor da taxa é R$ 68.74 por dia de acordo da permanência na ilha e por pessoa.  No total pagamos R$ 1.237.23 reais.


Pegamos o avião em Porto Alegre, tivemos três conexões! Sim três!! No total foram mais ou menos 9 horas de viagem. Foi cansativo demais, mas o que nos recompensou foi a vista da janela do avião para a ilha quando quase estávamos aterrissando no aeroporto da ilha. Vejam esta foto para imaginar a nossa recompensa! 






Ficamos 7 dias na ilha. Optamos a pousada do Marcílio pelo conforto, a diária para nós três custou 770 reais por dia. Não há uma pousada que custe menos de 380 reais por noite. Contratamos passeios com a agência Atalaia que é ótima, escolhemos passeios de barco, de entardecer e o famoso ilhatour. O passeio de ilhatour é altamente recomendável para quem gosta de conhecer bem os lugares, esse passeio é muito bom para fazer no primeiro dia e dura 9 horas de passeio que finaliza com um lindo pôr do sol no Mirante do Forte São Pedro do Boldró. Fizemos o passeio ilhatour com guia Evaldo com seu 4X4, vale lembrar que a maioria de estradas da ilha são de chão. O guia foi maravilhoso com a gente mesmo não sabendo a língua de sinais e foi bem atencioso com a Sofia. Primeiro fomos conhecer a praia mais linda do Brasil, a Praia do Sancho, M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A com suas águas cristalinas, para acessar a praia é preciso fazer uma trilha bem levinha e depois descer uma escada de ferro no meio das pedras. No início a Sofia não queria ir, mas o guia conseguiu convence-lo. Nós três aproveitamos muito a nadar o mar desta praia, uma sensação desigual. Ao mesmo tempo conhecemos a famosa Baía dos Porcos e Morro Dois Irmãos. Depois fomos conhecer os filhotes de tubarão na Baía do Sueste, para nadar nesta baía é obrigatoriamente usar colete e máscara, alugamos os coletes para flutuar e ver a vida marinha no fundo da baía, cada colete custou 7 reais. A Baía do Sueste tem muita vida marinha. De tarde conhecemos a Baía dos Tubarões, o Museu do Tubarão, o Porto e a Capela de São Pedro. Depois demos uma voltinha na praia preferida pelos surfistas, a Praia Cacimba do Padre que dá um visual lindo de perto o Morro Dois Irmãos, a Carta Postal da ilha. Por fim, o magnifico pôr do sol. De outros passeios que contratamos fizemos em outros dias, o passeio de entardecer é lindo demais, o barco percorreu nas praias de dentro (significa que ficam frente do Brasil) e mergulhamos no alto do mar próximo da praia do cachorro, perto do porto e foi oferecido um jantar típico, peixe cavalinha assado na hora bem temperado deliciosamente, olha eu comi bem mesmo não sendo fã de frutos de mar e brindamos o espumante gaúcho no barco. Também fizemos o passeio tão indicado o passeio de barco que inicia de manhã para ver os golfinhos e vimos para toda felicidade da Sofia. E depois uma pausa para nadar no alto do mar da praia de Sancho! A água da praia do Sancho é transparente, deu para ver areias ao fundo do mar e a Sofia adorou mergulhar, claro com o colete e máscara. Com a Atalaia fizemos a Trilha Histórica que deu para conhecer a história da ilha e a Sofia ficou admirada demais ao saber que antigamente a ilha era composta de fortalezas e presídios, nos tempos de guerras. As ruínas são marcantes, porém são muito mal preservadas. Esse passeio foi cortesia da agência por contratarmos três passeios com eles. Geralmente essa trilha é possível fazer sem guia, é muito fácil. 


Até a BabyAlive brindou!


Acesso para Praia do Sancho

Quem me conhece sabe que eu tenho uma paixão pelas viagens e conhecer os melhores restaurantes, com isso eu não economizo nada e não sou muito apegada com o material, prefiro gastar com as coisas que enriquecem mentalmente de culturas. Conseguimos uma reserva no famoso restaurante Zé Maria, comer lá é rezando e o atendimento muito bom. Pedimos um prato de bife à parmegiana com espaguete ao molho sugo, nossa senhora! Veio um pratão enorme e lindo, eu e Lenny não conseguimos comer tudo, estava muito bom e nunca comemos um igual delicioso assim! A Sofia pediu um prato kids que veio arroz, batata frita e bife de picanha, ela amou! Outro dia jantamos uma pizza assada no forno à lenha na Pizzaria Namoita, essa pizzaria é muito recomendada pelo site de viajante Tripadvisor. A pizzaria tem o estilo romântico que fica no meio do mato, uma natureza muito aconchegante.

No Zé Maria

Na pizzaria Namoita


Outra coisa que não pode de deixar de fazer na ilha é locar o buggy. Alugamos o fofo buggy amarelo, custou 280 reais ao dia e gasolina à parte. Pasmem!!! O valor de gasolina da ilha é o mais caro que eu já vi, 5,45 reais ao litro e somente tem um posto!! Mas, valeu a pena! Fizemos várias voltas para conhecer mais a ilha e a Sofia curtiu muito o carrinho. 


Buggy fofo


Único posto de gasolina


Não podemos esquecer da parada obrigatória da ilha, saborear a tapioca do famoso Gostosinho de Noronha que é uma atração turística e gastronômica, ele é um senhor de Pernambuco que vende quitutes tradicionais do Nordeste nas ruas do arquipélago com sua moto personalizada, muito bem-humorado o vendedor. Gostamos de experimentar a tapioca dele que vem com coco ralado bem cremoso. 

O Gostosinho

A Lenny fez Rappel na pedra do Piquinho com a agência ATM, custou 250 reais. Para ela foi maravilhoso poder ver a ilha de todo ângulo e ficou bastante emocionada com a vista. Eu e Sofia ficamos curtindo a piscina da pousada e conseguimos avistar a Lenny na pedra! A ilha é pequena e possível conhecer tudo em apenas uma semana!


A corajosa Lenny no Rapel. Ao fundo Morro Dois Irmãos



Não temos nenhuma reclamação desta viagem.
Adoramos muito.
Valeu a pena!

Só temos lembranças boas deste paraíso!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Como a Sofia compreende as minhas viagens


Compreensão é TUDO


Me perguntam como a minha filha, a Sofia consegue se adaptar quando a mamãe precisa viajar para estudos ou trabalhar. Não é dolorido para nós, não me sinto culpada. Como?!


A compreensão da minha filha é fundamental, ela me compreende tudo e é assim que me sinto feliz nas viagens e tranquila. Ela fica em boas mãos, meus pais e Lenny, eles sempre estão me informando tudo, muitas vezes a Sofi me escreve no iphone ou falamos pelo FaceTime (aplicativo de IOS que possibilita comunicação através de câmera dos iPhones), sempre procuramos ter contato. Sou mãe integral sim, amo o que faço e adoro voltar para casa ver as novidades da Sofi e ela as minhas novidades, o nosso vinculo só fortalece mais e não sofremos. A Sofi é uma criança muito feliz e amável. Ser mãe integral não é preciso ficar em casa tempo todo. Sempre trago coisas dos eventos, dos estudos e do trabalho para ela ver, sentir que está dentro e entender o motivo de minhas viagens, uma estratégia minha que encontrei desde cedo. E ela também me mostra as coisas que ela fez e me deixa mimos para viajar, tipo bilhetes ou algum objeto, é uma forma de carinho e da compreensão dela por mim. Faço questão de ela ir comigo para rodoviária ou para aeroporto ver eu indo e me esperar eu voltar, é importante. É assim que devemos deixar os nossos filhos informados para eles poderem nos compreender de uma forma pacífica e madura. Controlo as minhas viagens, tento não passar mais que 3 dias sem minha filha. Tem pais que veem os filhos todos os dias, mas trabalham dia todo e em casa estão estressados, e eu só estou na vantagem porque consigo ter dias sem nada para fazer só para ficar com a Sofia e fazer as vontades dela. De certa forma sou uma mãe de tempo integral. Compreensão dos filhos é um dos melhores resultados que os pais podem ter.



Além da compreensão, passo a segurança para filhota! 

Fico bastante chateada quando as pessoas me perguntam como eu tenho coragem de viajar sem filha.   Não é questão de coragem minha, não é questão de minha querer viajar para curtir, nada disso. As minhas viagens são necessárias ao meu futuro que é o futuro da minha filha. Sou a mãe dela e pronto, eu sei no que eu faço e eu sou a pessoa que conhece mais a minha filha. Somos felizes, não basta? Tem mães que viajam por semanas, meses e anos, não voltam. Eu volto em menos de três dias, a minha filha é uma sortuda.

Primeira foto, nós no FaceTime. Segunda foto, as coisas que trouxe de um congresso e mais as coisas que ganhei do avião azul que guardei para ela. A última foto é o bilhetinho dela, são milhares bilhetes carinhosos que recebo dela. Ela escreve bilhetes e coloca nos meus livros e cadernos sem eu saber para eu ver depois de surpresa! Ela gosta de me surpreender, uma querida a minha filha. 




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Lançamento do documentário "Inclusão, Educação Ideal?"


O Lançamento do documentário "Inclusão, Educação Ideal?"


O CARTAZ


Hoje em dia, estamos na contemporaneidade, o tempo que nos ocupa muito e acabamos nos esquecendo de um monte de coisa. Eu, com vida muito agitada e morando na nova cidade, muitas viagens profissionais e acabei deixando o blog de lado. Mas, nunca vou deixar de escrever aqui e compartilhar as notícias. Vou escrever como foi o evento acontecido no Festival de Cinema de Gramado com lançamento do documentário que relata sobre a Inclusão Escolar dos alunos surdos.  O evento foi realizado no dia 16 de agosto de 2014 na Câmara Municipal da cidade gaúcha, Gramado, que fica na serra. Foram muitos participantes, eu posso estimar umas 250 pessoas que lotaram o auditório da Câmara Municipal e afirmo que foi um dia muito marcante para a Cultura Surda. Tivemos o lançamento do documentário intitulado “Inclusão, Educação Ideal?” que foi feito pelos alunos do Ensino Médio da Escola Helen Keller, localizada na cidade de Caxias do Sul/Rio Grande do Sul. Eu estive à frente das produções do documentário tempo todo, desde lá do começo porque a idealização foi minha.  Trabalhava como professora de português do ensino médio da Escola Helen Keller (onde estudei por mais de 17 anos, o meu berço linguístico), em meados do mês de fevereiro de 2014 a escola recebeu oito alunos surdos de Bento Gonçalves, cidade vizinha nossa, estes oito alunos nunca estudaram numa escola especial, digamos escola bilíngue e aproveitei fazer entrevista com eles sobre as escolas regulares, ou seja, escolas inclusivas. Durante nas entrevistas, me veio uma luz que poderia fazer um documentário com relatos deles e divulgar a realidade da Educação dos Surdos.  Então, pensei no começo como conseguir o apoio financeiro e infelizmente não obtive bons resultados para isso. Mesmo assim não desisti, fui falar com a diretora do ensino médio e me deu apoio total para dar o andamento do “projeto” que apenas estava na minha cabeça. Aí falei com o grupo de pesquisa que tem na Universidade de Brasília que se chama de “Círculo da Cultura Surda” e a participante do projeto Helenne Sanderson assumiu o documentário como diretora geral e ainda mais, sendo voluntária. Em março começamos as filmagens que foram até julho. Conseguimos muitos apoios para que o documentário ser concretizado e  lançado no Festival de Cinema de Gramado. Foram dois motivos para que o documentário ser lançado no Festival de Cinema de Gramado. Primeiro, sou coordenadora da Campanha “Legenda para quem não ouve, mas se emociona” que é uma campanha que luta pelas legendas nos filmes brasileiros e o segundo a campanha completou 10 anos de luta. Então foi um momento muito marcante para a Cultura Surda, além do lançamento do documentário tivemos uma exibição de curta-metragem do surdo de Santa Catarina,  Germano Dutra, intitulado “Coulrofobia”. Os dois trabalhos foram exibidos somente em Libras e com legendas, pois o objetivo da campanha é lutar pelas legendas. Os ouvintes só tiveram que acompanhar as legendas ou pelos sinais, lembrando que os surdos perdem muito com filmes somente dublados. Tivemos uns problemas técnicos do auditório, os computadores não compatíveis para que os outros trabalhos serem exibidos, os trabalhos que foram convidados por mim antes, dos surdos também. O documentário gerou muita repercussão nacional e de grande sucesso. Eu e a Helenne fomos convidadas para ministrar palestras e exibir o documentário para criar um debate sobre a educação inclusiva dos alunos surdos. Certamente o documentário mostrou a realidade da Educação de Surdos que temos, por isso, estamos lutando pelas Escolas Bilíngues para surdos que recentemente foi implementada no Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 13.005/2014. 

Enfim, deixo os meus agradecimentos imensos e sinceros à Diretora Silvana Vencato pela confiança, às intérpretes de Libras e professora, Priscila Paris, Grasiele Pavan e Janete Belladon que ajudaram o muito para deixar as legendas perfeitas e traduzidas no documentário, mais uma vez à Priscila Paris pela interpretação durante no evento, ao Marcelo Bertoluci pela imprensa de divulgação, à empresa Caxiense conceder um preço especial do transporte aos participantes, aos alunos que ajudaram a fazer o documentário, às todas professoras do ensino médio que ajudaram levando os alunos  para as filmagens, à Escola Estadual Emílio Meyer pelo empréstimo do prédio da escola e dos alunos ouvintes para algumas partes do documentário, aos participantes que participaram no evento, aos amigos Jaqueline Zanchin, Maiquel Fetter e Juliana Matiello por ajudar das vendas das camisetas, Laíse Coltro, Karisa Golin e Douglas Faggion por controlar as entradas, aos demais amigos que me ajudaram a divulgar o evento, impossível colocar todos aqui porque são muitos e por fim, um agradecimento especial à Helenne Sanderson que filmou todo documentário com toda dedicação e conseguiu terminar o documentário com muita qualidade. Agradeço também as instituições que acreditaram no nosso projeto, SSCS, ASPLIS, AGILS, FENEIS, Mertoluza e Câmara de Vereadores. Ao pessoal do Festival de Cinema de Gramado que ajudou a conseguir o auditório. 

Participantes

             Assistam o documentário completo com legendas em Português. 



                            Um abraço terno a todos. Carilissa Dall´Alba
  

sexta-feira, 18 de julho de 2014

LEGENDA NACIONAL EM GRAMADO 2014



LEGENDA NACIONAL EM GRAMADO

DIA? 16 de agosto 
ONDE? Em Gramado, no Teatro Elisabeth Rosenfeld
HORA? 14hs a 18hs

Maiores informações no vídeo. 


terça-feira, 7 de maio de 2013

ESCOLA BILINGUE É A FORMA DE EDUCAÇÃO IDEAL PARA O SURDO.


As novidades sobre as atuais escolas bilíngues para surdos e as que virão ser abertas em breve aqui no Brasil pelo Movimento Surdo que luta pelas escolas bilíngues me emociona bastante, parece que volto a mexer no baú da minha vida.

Hoje tenho 27 anos e tive a oportunidade de estudar numa escola bilíngue  Durante meu período escolar sempre me foi oferecido a oportunidade de aprender a Língua de Sinais presente e a Língua Portuguesa simultaneamente. Ambos os aprendizados foram devidamente valorizados, o que nunca me acarretou problemas de comunicação.

Com apenas oito meses de idade ingressei na escola Helen Keller, de Caxias do Sul, uma grande referência educacional em todo o Brasil por ser uma das primeiras escolas bilíngue do país. Fiz deste o primário, passando pelo ensino fundamental e conclui com o ensino médio no Helen Keller, num total de 17 anos. Considero a escola uma segunda casa para mim, onde fiz boas amizades, tive ótimos professores ouvintes que tinham bom conhecimento da Língua de Sinais e a Educação de Surdos com instrutores de Libras. (Na época os professores surdos eram reconhecidos como instrutores, graças a lei 10.436, atualmente podemos ser reconhecidos como professores),

Com quatro anos de idade tive o primeiro professor surdo que foi um grande exemplo e inspiração para mim. Os professores ouvintes que se esforçavam para que os alunos surdos pudessem aprender a Língua Portuguesa sem trazer prejuízos a primeira língua de surdos, a Língua de Sinais.

Com cinco anos, meus pais me matricularam numa escola regular, particular e bem renomada em Caxias do Sul, onde minhas irmãs que são ouvintes também estudaram. O objetivo de meus pais foi verificar se eu me adaptaria na nova escola, porque eu era a única da minha turma no Helen Keller que sabia escrever, falar e fazer leitura labial. Na escola de ouvintes eu fiquei isolada, e mesmo com cinco anos, já tinha pleno domínio da Língua de Sinais. Foi então que chegamos à conclusão que não iria me adaptar na escola de ouvinte e fiquei na escola de surdos.   

Estudar numa escola de surdos com outros surdos é algo fantástico e uma experiência única, o que ajuda a construir uma Sociedade de Surdos ainda mais forte. É um direito de toda criança surda ter a oportunidade de conhecer a riqueza da Língua de Sinais e criar a sua identidade surda.

Crianças surdas que são incluídas em escolas regulares é um processo muito difícil. A maioria não consegue se adaptar e são poucos que conseguiram ter sucesso em escolas de inclusão. Conheci muitas escolas de inclusão e seus alunos surdos, com vários relatos dos mesmos que não estão felizes e satisfeitos e que gostariam de estudar numa escola para surdos. Quando olho aos olhos das crianças surdas que estudam na escola inclusiva eu já sei as respostas...

Tive grandes professores que marcaram minha vida escolar, entre eles, Mônica Duso, Isabel Sirtori, Carlos Skliar, Ronice Quadros e tantos outros. Destaco também a fonoaudióloga Terezinha, com quem aprendi a leitura labial e a escrever. Na escola aprendi a me tornar independente e desenvolvi uma liderança, buscando os direitos e uma educação de qualidade a todos os surdos.

Orgulho-me muito em ser professora da Língua de Sinais para surdos e ouvintes e de Língua Portuguesa para surdos, mas, a minha primeira língua é a Língua de Sinais, a qual amo muito e incentivo as crianças surdas a terem as mesmas oportunidades. Sei que ainda tenho muito a aprender na Língua Portuguesa, estou sempre buscando aperfeiçoar a minha ortografia e gramática.

A minha aquisição da Língua Portuguesa foi espontânea, com a fonoaudióloga, na escola e principalmente em minha casa, onde meus pais e irmãs me incentivaram muito nas leituras e fixavam cartazes com letras, verbos e palavras novas nas paredes da casa. Havia sempre gibis, revistas e jornais, então a prática de leitura era sempre constante. Na escola, numa prova de verbos, meu resultado foi ruim, e para me ajudar, minha irmã mais velha criou os cartazes com verbos e colou na parede da cozinha. Conclusão: fiz novamente a prova, tirei a melhor nota da turma. A minha irmã do meio fez pós em Educação de Surdos e trabalhou como professora de Português para surdos durante algum tempo.

Atualmente estou na ativa nos movimentos de educação bilíngüe para surdos, uma causa justa e dedico meu tempo e energia aos movimentos porque entendo perfeitamente como é estudar numa escola somente para surdos. Tive grandes apoios e incentivos dos professores e de minha família também. Meus familiares participaram ativamente e sempre estiveram presentes, sendo que meus pais foram presidentes do Conselho de Pais e Clube das Mães. Em minha opinião é fundamental os pais estarem presentes na escola dos filhos, independentes de serem surdos ou ouvintes.

O apoio familiar é algo muito importante além da escola. Não somente pelos apoios da escola e da família, e sim porque eu quis lutar e me esforçar para dar sempre o melhor de mim. Meu mérito for ser uma criança muito ativa, feliz e curiosa, sempre procurando saber sobre tudo e sobre todos. Minha família sabia se comunicar comigo com a Língua de Sinais e com a leitura labial também, mesmo que todos os meus familiares fossem ouvintes, eu nunca era deixada de fora. Tenho uma grande prima que andou comigo toda a nossa infância e que sabe a Língua de Sinais e foi meu porto seguro em algumas ocasiões. 

A minha mãe, que admiro muito por ser uma mulher batalhadora e mesmo com poucas oportunidades de estudo, sempre me incentivou para concluir meus estudos e realizar meus sonhos. Certa vez uma vizinha perguntou a ela porque ela cantava para eu dormir se eu não ouvia, e ela respondeu: “cantei para minhas duas filhas ouvintes e canto para a Carilissa também porque é minha filha”. Isso mostra a mãe que tenho que nunca me tratou diferente das minhas irmãs mais velhas.

Minha mãe sempre me falou que eu valia por cinco crianças, era inquieta, sempre curiosa, e ficava irritada quando não entendia os diálogos na televisão. Minha mãe sempre me interpretava tudo que era exibido na TV, até que um dia ela se cansou e fez um acordo com minhas irmãs e pai: cada dia um deles me interpretava até que eu conseguisse fazer a leitura labial pela TV, e uns 10 anos depois vieram as legendas, um movimento que eu ajudei bastante pela campanha “Legendas para quem não ouve, mas se emociona!”.

Durante minha infância tive muitas crises de asma, o que me fazia ser hospitalizada muitas vezes. Meus professores iam ao hospital entregar as atividades para que eu pudesse estudar e não perder o ano. Graças ao apoio dos professores que tive nunca repeti um ano. Isso me fez desenvolver um grande afeto e carinho por eles, os quais eu considero como uma parte de minha família e no qual ainda hoje mantemos contato, depois de tantos anos.

Meus pais aprenderam a Língua de Sinais quando eu tinha quatro anos de idade, porque se sentiam excluídos, quando meus amigos surdos iam à minha casa, e só nos comunicávamos com a Língua de Sinais. Minha mãe sofre de reumatismo, o que dificulta sua habilidade em usar as mãos com a Língua de Sinais, mas mesmo assim ela nunca me deixou de fora, e o meu pai é um homem com grande conhecimento cultural. Quando eu era criança, meu pai me apresentava tudo e me levava a vários lugares onde eu aprendia os nomes das coisas, e ele incansável, sempre repetia os nomes em Língua de Sinais e em Português.

Minha filha Sofia tem quatro anos de idade e sabe a Língua de Sinais. Por passar mais tempo com ele, ela aprende mais com meu pai e com a minha mãe também, do que comigo. Certa vez na escolinha, onde ela estuda, numa aula de inglês, a turma aprendeu os nomes dos animais em inglês e ela ensinava os sinais de animais aos colegas, o que me deixa toda orgulhosa e imensamente feliz!

Ah, me empolgo demais escrevendo sobre mim e acho que termino por aqui, senão fica parecendo um livro, risos...

Finalizo: ESCOLA BILÍNGUE É A FORMA DE EDUCAÇÃO IDEAL PARA O SURDO. 



Duas primeiras fotos, eu com a minha Língua de Sinais e a foto maior a minha festa de 3 anos na Sociedade dos Surdos de Caxias do Sul, já fazia parte da sociedade! Baita orgulho! 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mestra!


EU MESTRA!!!!!  


Defendi a minha dissertação de mestrado no dia 5 de abril na Universidade Federal de Santa Maria. Um sonho concretizado meu! Nas vésperas da defesa estava muito tensa, cheguei a ter virose e asma, mas enfim na minha apresentação eu estive bem tranquila e confiante. Foram dois anos de pesquisa, muitos aprendizados, muitas leituras, novos conhecimentos, novas amizades, viagens aos congressos, artigos publicados, trabalhos apresentados, aulas, enfim tudo isso me marcou e trouxe caminhos à minha pesquisa. Deixei a minha filha pequena com meus pais para viajar a Santa Maria todas as semanas por 12 horas ida e volta, deixei de fazer muitas coisas para estar nas pesquisas e deixei de ir aos eventos importantes da comunidade surda e os da família também, mas tudo valeu a pena, é fantástico me ver professora com mestrado. É fantástico mesmo, primeira surda da minha região a ter mestrado, sim a primeira, me orgulho disso, isso mostra que os outros surdos podem seguir também. Um investimento à minha carreira. Realizei a dissertação pensando em contribuir as futuras pesquisas e deixar alguma referência, fazer o mestrado foi uma vontade minha de pesquisar os efeitos dos movimentos surdos na contemporaneidade articulado com a educação de surdos e isso é muito presente na minha vida porque cresci participando os movimentos surdos, eu sempre estou na frente dos movimentos surdos em busca as melhorias à Educação de Surdos. Realmente a pesquisa foi muito prazerosa, tive oportunidade de misturar o meu ser na pesquisa. Tive uma orientadora maravilhosa que me deu toda confiança e sempre esteve ao meu lado e me orientou o melhor possível. “Movimentos Surdos e Educação: Negociação com a Cultura Surda” o tema da dissertação que mostra sobre os movimentos surdos que lutaram pela Educação de Surdos nos últimos anos e as estratégicas que usaram os movimentos surdos. Não posso deixar de dizer que tudo isso se deve à minha família, aos professores dos tempos da escola, à orientadora e é claro à mim e da minha "tesão" de estudar e pesquisar.  Daqui uns dois meses, a minha dissertação estará publicada na internet e vocês podem ler!  Na semana que vem vou postar aqui a noticia principal dessa semana, foi aberta mais uma escola bilíngue para Surdos no Brasil, em Rondônia, mais um efeito do movimento surdo. Avante povo surdo!



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Foto: Mariana Hora

Nos dias de três a seis de dezembro aconteceu a III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência em Brasília, essa conferência é um espaço que participam as pessoas com deficiência como cadeirantes, deficiência física, deficiência intelectual, cegos, surdos e entre outras deficiências para discutir várias propostas de políticas em busca os seus direitos, na terceira edição da conferência estiveram mais de três mil pessoas, os delegados mesmos que votam nas propostas que eram mais ou menos 850. Essa conferência resultou a aprovação da proposta de Educação Bilíngue e outras propostas relacionada com os surdos também.

Uso um relato da líder surda de Pernambuco que esteve na frente da terceira conferência e nas votações, Mariana Hora (07/12/2012).

Foram discutidos vários temas por área: educação, esporte, cultura, lazer, moradia, transporte, saúde, trabalho, reabilitação, Justiça e Segurança Pública... esses temas foram discutidos em um grupos, eram muitos propostas, estava cansada de lendo-as, eram as propostas que foram aprovadas nos estados e levadas para a Nacional, foi preciso consertar  e organizar o texto para melhorar-lhos.Havia aproximadamente 45 surdos lá, isto é muito importante, porque nas Conferências anteriores havia poucos surdos, agora aumentou bastante. Foi muito bom, os surdos estiveram junto com os ouvintes compartilhando também com os intérpretes, todos unidos.Surdos se dividiram entre os grupos, mas a maioria foi para o grupo de educação para defender com mais força por causa do grupo contrário às escolas bilíngues para surdos e às escolas especiais das pessoas com deficiência intelectual e outras, esse grupo é radical e quer todas as pessoas dentro da escola inclusiva. Então nós nos unimos com o grupo defensor das escolas especiais para defendermos com força. Enfim foram aprovadas ambas: escolas bilíngues para surdos e as escolas especiais, também as escolas inclusivas continuam, pois as pessoas têm direito de escolher qual escola quer, há a liberdade de escolher entre os vários modelos.Quando foi aprovada, nos ficamos muito felizes, pulamos muito, emocionados, porque já sofremos muito com a discriminação à comunidade surda, agora os surdos participaram firmes e fortes, foi importantíssimo. Também foram aprovadas outras propostas como: disciplina de Libras (L2) para ouvintes em todos os níveis da educação, pois ouvintes estudam inglês e espanhol, por que não estudar Libras?! Então já foi aprovada essa proposta; Outra proposta de adaptação das provas dos vestibulares, ENEM, DETRAN, Concursos para serem em Libras; Propostas de acessibilidade para trocar os TDD por Serviço de Intermediação por Vídeo-Conferência (SIV); várias outras propostas que incluem direitos dos surdos.

Extras:

Meses depois de mobilização intensa da Comunidade Surda, a Câmara Distrital de Brasília aprovou o projeto de Lei  PL725/2012 que autoriza ao governo distrital a criação de uma Escola Bilíngue para Surdos, com a Língua de Sinais como primeira língua e a Língua Portuguesa, em sua modalidade escrita, como segunda língua. A aprovação é um dos efeitos das reivindicações do Movimento Surdo e dos atuais estudos surdos e agora é aguardar para que seja sancionada a lei.

Até hoje somente três cidades que tem escolas bilíngues oficialmente para Surdos, São Paulo –SP, Sumé-PB e Imperatriz-MA.

Avante Povo SURDO.